terça-feira, 11 de setembro de 2012
Quando era bem pequena, não tinha livros ao meu redor. Mas tinham histórias orais. E delas fui construindo o meu castelo. Rainhas, madrastas, bruxas, fadas, ogros, malvadezas, malandragens, traquinagens, princesas e beijos que desencantam; ventos que trazia notícias de outros tempos; viajantes contadores de histórias; tapetes voadores; moça que sabia encantar o sultão com narrativas de mil e uma noites; monte de lenha que andava pra fazer princesa rir; sapato que fazia a dona dançar até morrer; menina enterrada viva e ressuscitada... Meu mundo fantástico estava sempre permeado de aventuras, desse e outros tempos. E quando, tempos depois os livros, enfim, chegaram em minhas mãos, já era tarde: já os amava.
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