quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Trem
(Efigênia Alves)
E no trem da vida, há os ficam, os que partem.
Os que ficam com vontade de partir.
Os que partem com vontade de ficar.
Muitos do que amo foram.
Alguns deles se esqueceram de acenar.
Um me acenou e fechei os olhos,
não quis ver um olhar derradeiro.
Sei que em qualquer tarde irei para a estação.
E nela relembrarei a minha vida
sem tempo de me arrepender.
E na estação não terei amigos.
Estarei só com todos os meus silêncios reunidos
e todas as minhas lágrimas estancadas.
Na estação vou perder o meu jeito de sorrir.
Sei que qualquer tarde vou me anoitecer.
(Efigênia Alves)
E no trem da vida, há os ficam, os que partem.
Os que ficam com vontade de partir.
Os que partem com vontade de ficar.
Muitos do que amo foram.
Alguns deles se esqueceram de acenar.
Um me acenou e fechei os olhos,
não quis ver um olhar derradeiro.
Sei que em qualquer tarde irei para a estação.
E nela relembrarei a minha vida
sem tempo de me arrepender.
E na estação não terei amigos.
Estarei só com todos os meus silêncios reunidos
e todas as minhas lágrimas estancadas.
Na estação vou perder o meu jeito de sorrir.
Sei que qualquer tarde vou me anoitecer.
Ler para mim é uma forma de fugir do mundo, e às vezes, de mim mesma. Nas histórias que leio, vejo o mundo metamorfoseado. Encontro as mais cruéis verdades da humanidade. Encontro também as flores que enfeitam o interior de algumas pessoas. Quando encontro pedaços de mim, às vezes também me assombro. Sou constituída de muitas cores e há também aquelas mais escuras. Mas tenho retalhos que são uma graça. Retalhos que tem beleza. As histórias também servem para me costurar. Leio porque tenho necessidade de ir além. Leio porque gosto de ver o que tem do outro lado do horizonte. Leio porque acredito mesmo que a leitura "deixa as pessoas perigosamente mais humanas". (Efigênia Alves)
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Também ás vezes me visto de sonhos...
Tudo que me cobre se reverte de fantasia e fico tecendo minhas ânsias em paisagens vivas, como se o meu mundo de retalhos rotos reverberasse em bonitezas. Me costuro com a linha do horizonte e nesse tecer, vou me formando em todos os mundos que desejar. (Efigênia Alves)
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Quando era bem pequena, não tinha livros ao meu redor. Mas tinham histórias orais. E delas fui construindo o meu castelo. Rainhas, madrastas, bruxas, fadas, ogros, malvadezas, malandragens, traquinagens, princesas e beijos que desencantam; ventos que trazia notícias de outros tempos; viajantes contadores de histórias; tapetes voadores; moça que sabia encantar o sultão com narrativas de mil e uma noites; monte de lenha que andava pra fazer princesa rir; sapato que fazia a dona dançar até morrer; menina enterrada viva e ressuscitada... Meu mundo fantástico estava sempre permeado de aventuras, desse e outros tempos. E quando, tempos depois os livros, enfim, chegaram em minhas mãos, já era tarde: já os amava.
As vezes tenho saudade de minha meninice, de quando o mundo não se mostrava nu, com toda sua indecência de arrogância. Saudade de brincar sem olhar o entardecer, de cantigas que ouvia, quando a voz que me aninhava não tinha virado saudade grande. Mas o tempo passa e a gente olhar pra traz e ver que as bonecas não nos acompanharam no percurso. E o gosto se perdeu no tempo. Mas ainda há, qualquer coisa em mim, da infância doce e feliz que tive....
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